A BR-153, em seu trecho que corta Marília, voltou a se tingir de sangue. O trágico acidente que deixou seis mortos e dezenas de feridos neste final de semana não é apenas uma fatalidade do destino ou uma estatística fria nos relatórios da Polícia Rodoviária Federal. É um grito de socorro de uma via que, há décadas, clama por segurança, investimentos e, acima de tudo, por respeito à vida humana.
O tombamento do ônibus na “Transbrasiliana” expõe a fragilidade de um sistema de transporte que cruza o país sob o signo da precariedade. Enquanto as autoridades discutem concessões, tarifas e burocracias, famílias são destroçadas no asfalto. O trecho de Marília, conhecido por sua periculosidade, exige mais do que sinalização paliativa; exige uma intervenção estrutural que interrompa essa contagem macabra de corpos.
Onde falhamos? Falhamos quando permitimos que veículos sem a devida manutenção circulem livremente por milhares de quilômetros. Falhamos quando a fiscalização sobre o descanso dos motoristas e a velocidade nas pistas é insuficiente para inibir a imprudência. E falhamos, principalmente, quando nos acostumamos a ler manchetes sobre tragédias na BR-153 como se fizessem parte do cotidiano geográfico da nossa região.
Este editorial não é apenas um lamento, mas uma cobrança severa. É inadmissível que uma das principais artérias de escoamento do Brasil continue sendo uma armadilha para quem viaja em busca de trabalho, lazer ou reencontro familiar. As seis vidas ceifadas em Marília possuem nomes, sonhos e pessoas que as esperavam. O vazio deixado por elas não será preenchido por notas oficiais de pesar.
Justiça, neste caso, significa apuração rigorosa das responsabilidades da empresa de transporte e uma resposta imediata dos órgãos de infraestrutura. Não podemos aceitar que o lucro ou a inércia estatal continuem sendo financiados com o sangue de passageiros.
O Portal GPN se solidariza com cada família atingida por essa barbárie. Mas, além da solidariedade, oferecemos nossa voz para exigir que esta seja a última grande tragédia que Marília testemunha em suas margens. O asfalto não pode continuar sendo o destino final de quem só queria chegar.


